IGP-M: Por que oscila?
Antes de tudo, é importante lembrar o que é o IGP-M. O Índice Geral de Preços – Mercado é calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mede a variação de preços em diferentes etapas da economia. Ele reúne três componentes: o IPA (atacado), o IPC (varejo) e o INCC (construção civil). Além disso, cada um possui um peso diferente no cálculo. Por isso, o índice final reflete tanto os custos de produção quanto os preços ao consumidor. Ao contrário do IPCA, o IGP-M costuma apresentar oscilações mais intensas. Mas por que o IGP-M oscila? A seguir, você vai entender os principais motivos.
Forte peso do atacado
Em primeiro lugar, o principal fator de volatilidade do IGP-M é o peso do IPA, que representa 60% da composição do índice. Ou seja, mais da metade do cálculo depende dos preços no atacado.
Como resultado, qualquer variação em matérias-primas, produtos agrícolas ou industriais impacta rapidamente o indicador. Além disso, preços no atacado costumam reagir antes dos preços no varejo.
Por exemplo, se o valor do minério de ferro ou da soja sobe no mercado internacional, o IPA sente o efeito quase imediatamente. Consequentemente, o IGP-M também sobe.
Portanto, como o atacado é mais sensível a choques externos, o índice se torna naturalmente mais volátil.
Influência do dólar
Outro fator decisivo é o câmbio. O Brasil exporta e importa diversos produtos, muitos deles cotados em dólar. Assim, quando a moeda americana sobe, os custos de vários itens aumentam.
Além disso, commodities como petróleo, milho e trigo sofrem influência direta do mercado internacional. Dessa forma, qualquer oscilação cambial pode gerar impactos relevantes no IGP-M.
Enquanto isso, índices focados no consumo interno, como o IPCA, podem demorar mais para refletir essas mudanças. Por isso, o IGP-M tende a reagir com maior intensidade.
Consequentemente, períodos de instabilidade cambial costumam vir acompanhados de maior volatilidade no índice.
Sensibilidade às commodities
Além do dólar, as commodities exercem papel central na variação do IGP-M. Isso porque produtos agrícolas, minerais e energéticos fazem parte do cálculo do IPA.
Quando há aumento na demanda global ou problemas de oferta, os preços sobem rapidamente. Por outro lado, em momentos de queda internacional, eles também podem despencar.
Assim, o índice pode registrar altas expressivas em um período e recuos no seguinte. Portanto, essa dependência de fatores externos contribui para oscilações frequentes.
Ao mesmo tempo, essa característica permite que o IGP-M antecipe movimentos inflacionários que ainda não chegaram ao consumidor final.
Estrutura de cálculo diferente
Outro ponto importante é a própria metodologia do IGP-M. Ele considera preços em estágios anteriores ao consumo. Ou seja, mede custos que ainda estão na cadeia produtiva.
Enquanto isso, o IPCA foca diretamente no que as famílias pagam. Dessa maneira, o IPCA tende a ser mais estável, pois reflete gastos cotidianos como alimentação, transporte e moradia.
Já o IGP-M capta variações mais amplas da economia. Por isso, mudanças abruptas em setores específicos podem alterar o resultado mensal de forma significativa.
Consequentemente, o índice apresenta maior amplitude nas variações acumuladas.
Impacto das crises econômicas
Em períodos de crise, a volatilidade costuma aumentar ainda mais. Por exemplo, instabilidades políticas, guerras ou pandemias podem afetar cadeias de produção e preços internacionais.
Nesse cenário, o dólar pode subir, commodities podem disparar e custos industriais podem variar rapidamente. Assim, o IGP-M reage quase de imediato.
Além disso, incertezas elevam a percepção de risco no mercado financeiro. Como resultado, investidores buscam proteção cambial, o que também pressiona o índice.
Portanto, momentos de turbulência global costumam intensificar a volatilidade do IGP-M.
IGP-M: Por que oscila? Como isso impacta contratos?
A volatilidade do IGP-M afeta diretamente contratos atrelados a ele, especialmente os de aluguel. Quando o índice sobe muito em 12 meses, o reajuste anual pode ser elevado.
Por outro lado, em períodos de queda, o reajuste pode ser menor ou até negativo. Assim, tanto inquilinos quanto proprietários sentem os efeitos das oscilações.
Além disso, empresas que utilizam o IGP-M como indexador precisam lidar com variações imprevisíveis. Portanto, a escolha do índice exige análise cuidadosa.
Nos últimos anos, inclusive, muitos contratos passaram a adotar o IPCA como alternativa mais estável. Ainda assim, o IGP-M continua presente em diversos acordos.
O IGP-M vai continuar volátil?
Embora seja impossível prever o futuro, a estrutura do índice indica que ele tende a continuar sensível a fatores externos. Afinal, enquanto o IPA mantiver peso elevado, o indicador seguirá exposto ao mercado internacional.
No entanto, isso não significa que ele seja inadequado. Pelo contrário, essa sensibilidade pode ser útil para contratos ligados a custos industriais e commodities.
Portanto, tudo depende do objetivo e do perfil de quem utiliza o índice.
Conclusão IGP-M: Por que oscila?
O IGP-M é tão volátil porque depende fortemente dos preços no atacado, do dólar e das commodities. Além disso, sua metodologia capta variações ainda na cadeia produtiva.
Consequentemente, ele reage com rapidez a choques externos e crises econômicas. Embora isso gere oscilações intensas, também permite antecipar tendências.
Assim, entender os motivos da volatilidade do IGP-M ajuda você a interpretar melhor seus impactos e tomar decisões financeiras mais conscientes.